quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O que a mente nos faz esquecer

Por vezes acho que as minhas épocas desportivas se assemelham às temporadas dos Morangos com Açúcar: grande parte do elenco mudava, havia sempre o mau da fita, o palhaço, as conquistas, os dramas, as histórias cruzadas... Qualquer dia escrevo um best seller.

Verão 2006. 
Preparava-se a época seguinte no meu clube. Já iam na tentativa numero sei lá quantas de colocar lá um Coordenador Técnico (CT) para orientar o clube. [este acho que durou essa época]. Eu, na altura, ia para a minha quarta época como treinadora, com a feliz experiência de ter estado também nos anos anteriores a trabalhar junto das Seleções Distritais jovens [alguém pressentiu e previu a minha loucura pela coisa]. 
Pois bem.
O CT lá começou a (re)colocar os treinadores pelas equipas e eu não constava em lado algum. Eu que era uma mera adjunta-com-muita-sede-de-aprender tinha sido considerada insuficiente para o cargo de aprendiz/adjunta/ou o quer que fosse no clube onde tinha sido atleta e me tinha desafiado para treinadora. Não fazia sentido algum.
Lembro-me do drama. Lembro-me das pessoas que falei. Das conversas que tive com o tal CT. Eu apenas queria aprender. E simplesmente não me queriam deixar aprender. O grande CT, diziam (e dizem) que é um grande nome do basquete distrital. É? Impedir alguém de aprender faz de alguém "grande"?
Claro que não fiquei despedida da minha caminhada. 2017 e cá estou eu. Riu-me de tudo na altura. Puseram-me onde ninguém queria. Mas eu só queria continuar a minha loucura por aprender. Passei um verdadeiro ano digno de Morangos com Açúcar. Mas aprendei.

Inverno 2016.
O ex-CT-2006 escreve nas redes sociais, assim mesmo à cara podre, dizendo que a minha equipa tem gozo em ganhar por muitos e humilha o adversário. Arrrrrfffff...
Amor-ódio-recíproco-meu-senhor. Lembrei-me, por estes dias, porque tenho esse sentimento por si. Na verdade faz mais de 10 anos atrás, quis que eu deixasse de investir em algo que me dedico mais que muitos. Nunca andei de peito feito. Nem o vou fazer. Sei que melhorei. Sei o que o trabalho com os jovens melhorou. Sei que as equipas a que me dedico estão a melhorar. Sei que pude contribuir para o meu clube de sempre a ser um bocadinho melhor. E tudo, tudo, porque não desisti por causa de pessoas como você (e outras da "família"). Mas também sei que NUNCA irei perder a capacidade de aprender, de ter os pés no chão e de procurar sempre por mais e melhor. Jamais parar no tempo. Jamais ficar-me por feitos (ou não feitos, mas que dizem que se fez) do passado.
Agora o seu sentimento por mim? É porque o enfrentei, quando lutei pelo que acreditava, faz 10 anos atrás? Ou porque 10 anos depois cá estou eu, MUITO melhor?

Senhor ex-CT-2006 as equipas que lidero gostam de ganhar, por consequência do trabalho. E sabe qual o gozo delas? Superar as melhores do país. Esse é o gozo delas.



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