quarta-feira, 17 de maio de 2017

Era só isto

"(...)
sei que neste exacto momento há muitas miúdas [somos miúdas para sempre, tenhamos 20, 40 ou 70
anos] que deixaram de acreditar na sua história de amor. algumas acham que deixaram de acreditar no amor romântico assim mesmo, na sua plenitude e totalidade, outras deixaram de acreditar que sejam merecedoras da sua história. eu sei que neste exacto momento há muitas miúdas que desistiram, que aceitaram uma situação em que sentem mais ou menos em jeito de protecção, de medo. eu sei que neste momento há muitas miúdas cansadas. porque isto do amor que magoa cansa muito. porque isto do amor romântico no geral cansa porque dá trabalho.

há dois anos eu estava terrivelmente cansada. tinha deixado de acreditar na minha história, tentando não achar que a culpa das coisas não resultarem era minha e deste jeito meio mandão, meio bruto, meio controlador. estar sozinha é uma forma feliz de existir. pode aliás ser a forma mais feliz de existir. mas sem culpa, sem remorsos, sem vazio. há dois anos, depois de muitas raivas, muitas lágrimas, muitas angústias, estava sozinha e serena. e eu acho que estar serena é a base para ser feliz.

e também acredito que foi essa serenidade que me permitiu receber o Pedro.

eu sei – porque duvidei da minha história durante mais de 37 anos – que há momentos que deixamos de acreditar.

queria escrever para quem neste momento não acredita na sua história de amor, porque nunca a viveu, porque se desiludiu, porque a perdeu. a vida às vezes faz-nos surpresas. surpresa bem boas. e convém estarmos serenas para vermos.

era só isso. bom dia."

[in Dias de Uma Princesa]

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